5 livros sobre luto que me fizeram sentir menos sozinha no mundo

Eu sempre digo que o importante é ler, mas há momentos na vida em que a leitura deixa de ser um hobby e vira um LUGAR DE SALVAÇÃO, e pra mim, o processo de luto foi um desses momentos. Não existe um manual ou guia definitivo, porque cada pessoa sente de um jeito, mas existem livros sobre luto que nos fazem sentir MENOS SOZINHAS no mundo.

Se você está passando por aquele sentimento de “nunca mais” que dói na alma, ou se quer entender melhor as camadas dessa dor através da literatura, preparei esta lista. São 5 leituras que foram, para mim, um abraço silencioso e muito necessário (e que ainda me fazem pensar sobre).

A lista vai de fantasia a ensaio, do mais leve de acessar ao mais cru e silencioso, então se quiser, começa pelo que parecer mais com o que você precisa agora.

livro sobre luto Antes que o café esfrie capa Toshikazu Kawaguchi

1. Antes que o café esfrie — Toshikazu Kawaguchi

A premissa é essa: existe um café onde, se você sentar no lugar certo no momento exato, pode conversar com alguém que já faleceu. Só que o café não pode esfriar. A conversa não muda nada do que aconteceu. E as regras existem para lembrar você, o tempo todo, que o passado não pode ser refeito.

E mesmo assim (ou talvez por causa disso) esse livro me fez chorar muito. Porque a ideia de ter uma última vez, de ouvir a voz, de poder falar ainda, é uma daquelas coisas que a gente sente antes mesmo de perceber que está sentindo.

  • Por que ler: É uma ficção de cura pequenininha e fluida, que cutuca o coração daquele jeito que a gente AMA. Para quem sente falta de uma última conversa.
  • Vibe: Realismo mágico, acolhimento, choro fácil.
  • Tropes: Ficção de cura, viagem no tempo emocional.
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2. Depois é nunca — Fabrício Carpinejar

A primeira vez que eu li esse livro, a minha reação literal foi: como que você tirou todas as palavras da minha cabeça e colocou num papel sem que eu tivesse te dado permissão?

O Carpinejar não fica na superfície do luto. Ele destrincha, vai fundo, dá tapas na sua cara sem que você tenha tempo de falar um “a”, mas de um jeito que você entende o motivo. Ele me ensinou a ver não só o sentimento do luto em si, mas também a ausência: a falta de quem eu era para as pessoas que perdi, a falta do que eu podia ser com elas.

  • Por que ler: Poesia que vai direto na ferida, mas do jeito bom. Um milhão de estrelas, impecável, perfeito.
  • Vibe: Poético, intenso, pancada boa.
  • Tropes: Ensaio poético sobre perda e ausência.
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3. A morte é um dia que vale a pena viver — Ana Cláudia Quintana Arantes

A Ana Cláudia é médica de cuidados paliativos, e o que essa mulher faz com palavras enquanto convive com pessoas em doenças terminais é uma coisa que não cabe muito bem em descrição. Ela tem a parte da ciência, mas ela tem a parte poética, a sabedoria, a visão de quem olha a morte de perto todos os dias e ainda assim fala sobre ela com uma beleza que destroça o coração.

Não é aquela coisa de “ai, todo mundo vai morrer, segue em frente”. É completamente diferente disso. Ela olha para a morte como uma passagem que tem camadas, e encarar essas camadas junto com ela é uma experiência que fica.

  • Por que ler: Para quem quer uma perspectiva sobre a morte que é realista, bonita, crua e honesta, tudo ao mesmo tempo.
  • Vibe: Ciência com alma, reflexivo, transformador.
  • Tropes: Não-ficção, cuidados paliativos, ressignificação da morte.
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4. É assim que eu vejo o céu — Thais Sánchez Barbosa

Esse livro tem uma história muito particular: a autora escreveu para perpetuar a história de alguém que ela ama muito: seu próprio filho. Ela escreveu o livro todo pela voz dele. (sim, eu sofri). A jornada do livro é ele chegando ao céu e conversando com a avó, sobre como é o céu para cada pessoa, sobre a história dele, sobre como ele enxerga quem ficou na Terra.

Eu terminei de ler e fui procurar o canal do YouTube dele. Chorei igual uma desgramada. Muito, muito, muito. É o mais pessoal de todos os livros dessa lista, e existe algo muito particular em ver uma mãe perpetuando a memória do filho através de uma história.

  • Por que ler: Não é o tipo de livro que você avalia como gostou ou não gostou, sendo bem sincera. Ele é pra quem quer sentir que tem mais gente vivendo isso, e pra entender um pouco do luto com um olhar mais “inocente”, mas que ainda assim vai te fazer pensar demais.
  • Vibe: Íntimo, delicado, pesado do jeito certo.
  • Tropes: História real, memória afetiva, perspectiva do outro lado.
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5. Notas sobre o luto — Chimamanda Ngozi Adichie

Esse foi o último que eu li, e foi o que me fez sentir que existe outra pessoa no mundo que sentiu exatamente o mesmo que eu. Porque o luto traz isso, né? Essa coisa meio absurda de não entender como o mundo continua girando, sendo que aquela pessoa não está mais aqui.

A Chimamanda escreve sobre o luto pelo pai dela, e esse livro são os pensamentos dela, constatações, o processo. O livro termina sem te levar para nenhum lugar diferente de onde você começou. E mesmo assim ele parece um abraço. Não o abraço que fica falando “ela tá melhor lá”. Um abraço silencioso que respeita a sua dor, o seu desespero, o seu medo.

  • Por que ler: Para se sentir menos sozinha dentro de um sentimento que parece intransferível.
  • Vibe: Abraço silencioso, cru, honesto.
  • Tropes: Ensaio autobiográfico, luto pelo pai, processo.
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Se você chegou até aqui porque está passando por isso agora, um abraço. Não existe jeito mais fácil de lidar e eu não tenho nenhum conselho bom para dar. Mas esses livros existem, e talvez um deles seja exatamente o que você precisa nesse momento.

Se quiser me ver falando sobre cada um deles com mais calma (e com a camiseta de pintar a casa, toda manchada) o vídeo está aqui: